26 Setembro 2022

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Fogo: Modernização das infra-estruturas de pesca só terá resultado com formação e capacitação dos pescadores – Fábio Vieira

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O presidente da câmara de Mosteiros, Fábio Vieira, reconheceu hoje que os investimentos na modernização das infra-estruturas da pesca e em utensílios e dispositivos de pescas só terão resultados com a formação e capacitação dos pescadores.

O edil de Mosteiros falava no encerramento da acção de formação de 35 pescadores e armadores de pescas dos três municípios da ilha sobre técnicas de conservação de pescado e navegação em alto mar, financiada pela Cooperação Luxemburguesa e pelo PNUD, através do Fundo de Descentralização.

“A formação é fundamental e permite dar o salto que se pretende no sector da pesca”, destacou Fábio Vieira, observando que o sucesso desta acção foi possível graças ao interesse e disponibilidade dos pescadores para participar na mesma.

Para o mesmo esta acção não é uma “actividade avulsa e isolada”, explicando que primeiro está enquadrada nos planos estratégicos municipais de desenvolvimento sustentável dos três municípios e segundo na estratégia e visão dos municípios em matéria de desenvolvimento do sector da pesca.

“A visão para a ilha é ter uma agenda que visa transformar a pesca num sector de geração de riquezas, que os pescadores possam orgulhar da sua profissão porque permite ter rendimento para sustentar e dar algum conforto à família”, disse.

Para o autarca de Mosteiros o sector da pesca não está sendo trabalhado de forma desarticulada, em que cada município pensa da sua forma, mas existe uma agenda regional e a ilha tem uma visão global tendo em conta o problema de escala que existe, não permitindo cada município dar passos estratégicos sozinho para alavancar o desenvolvimento da ilha.

Este lembrou que a intervenção tem de ser transversal, passando pela realização de trabalhos a nível de infra-estruturas, com agendas das câmaras e do Governo para garantir melhores condições de trabalho e segurança aos homens do mar.

Na sua intervenção lembrou que a utilização de embarcações de pequenas dimensões e limitadas a certas milhas devem ser substituídas por embarcações de maior dimensão e que pode ir mais além, mas para tal os pescadores têm de dominar técnica de navegação no alto mar e sobretudo interpretar os instrumentos de navegação, anunciando outras acções de capacitação de pescadores.

A formação, com duração de 21 dias e que contou com 35 participantes, 16 de São Filipe, 12 de Mosteiros e sete de Santa Catarina do Fogo, representa um investimento que ronda os dois mil contos e que é partilhado pelos três municípios.

A vereadora da câmara de São Filipe, Vanilda Correia, que representou o presidente da autarquia, pediu aos pescadores para acreditarem, sublinhando que esta formação é uma prova daquilo que é o compromisso para com os pescadores, que é de transformar o sector da pesca.

Para que isso aconteça, destacou, é necessário investir nos pescadores na formação e na melhoria de meios de captura, observando que a sua câmara já adquiriu algumas embarcações de maior dimensão e está neste momento no processo de aquisição de máquinas de gelo para o cais de pesca do porto de Vale dos Cavaleiros.

Por sua vez, a vereadora da câmara de Santa Catarina do Fogo, Adeleusa Montrond, em representação do autarca Alberto Nunes, indicou que a formação se enquadra no projecto “Três Baías”, relacionada com a fileira da pesca e conservação do pescado.

Além da formação, que visa capacitar os pescadores, a mesma sublinhou que o projecto tem várias actividades como a construção de casa dos pescadores que tem uma sala de conserva e espaço multiuso, na Baía de Alcatraz.

A segunda fase, cujo concurso foi lançado, e que conta com financiamento do Fundo de Turismo no valor de 21 mil contos, que se destina a construção de abrigos para botes, criação de áreas verdes e outras intervenções na área envolvente.

Além disso, a autarquia está a providenciar a aquisição de kits de primeiros socorros e segurança marítima para os pescadores e aquisição de embarcações de maior porte.

Os formandos destacaram a importância da formação e foram unânimes em afirmar que “valeu a pena” e que estão mais preparados e capacitados para a navegação no alto mar e consequentemente rentabilizar a actividade profissional.

Tendo em conta que os pescadores passaram três semanas sem poder exercer, as câmaras vão analisar a possibilidade, de forma uniforme, atribuir algum subsídio aos participantes.