24 Outubro 2020

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Geofísico cabo-verdiano desvaloriza possível colapso do vulcão do Fogo com repercursões na ilha de Santiago

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Cidade da Praia, 06 Out (Inforpress) - O geofísico cabo-verdiano que está a monitorizar o vulcão da ilha do Fogo, em Cabo Verde, disse hoje que não há risco eminente de colapso da estrutura vulcânica e que possa causar impactos na ilha de Santiago, que dista a 55 quilómetros. "Não há indícios atuais que indicam que um acontecimento dessa natureza possa acontecer de novo. Se houve instabilidade neste momento geológico da história da ilha do Fogo, o que é que iria acontecer é que as duas últimas erupções - de 1995 e de 2014 - iriam reflectir essa instabilidade, o que definitivamente não se observou", sustentou Bruno Faria. Na sexta-feira, uma equipa internacional de geólogos, que integra portugueses, defendeu que o colapso de ilhas vulcânicas pode desencadear maremotos gigantes, após apresentar provas do impacto de um "mega tsunami" que atingiu a ilha de Santiago há 73 mil anos. De acordo com os cientistas, as provas, que documentam o impacto destas ondas invulgares, que atingiram até pelo menos 220 metros acima do atual nível do mar, foram encontradas na ilha de Santiago, que dista 55 quilómetros a leste da ilha do Fogo. O artigo científico, intitulado "Hazard potential of volcanic flank collapses raised by new megatsunami evidence" e publicado na Science Advances, uma nova revista do grupo editorial Scienc, é da autoria de oito investigadores: Ricardo S. Ramalho, Gisela Winckler, José Madeira, George R. Helffrich, Ana Hipólito, Rui Quartau, Katherine Adena e Joerg M. Schaefer. Em entrevista à Rádio de Cabo Verde (RCV), o geofísico Bruno Faria, técnico que acompanha em permanência a atividade do vulcão do Fogo, disse que se houvesse instabilidade, esta ter-se-ia refletido nas duas últimas erupções vulcânicas (1995 e 2014). Segundo o técnico, as duas últimas erupções vulcânicas aconteceram numa "zona de fraqueza" da ilha e numa "direção completamente diferente", pelo que não havia possibilidade de reflexo de uma instabilidade lateral do aparelho vulcânico. Sobre o impacto que a notícia poderá causar, já com vários comentários nas redes sociais, Bruno Faria recomendou calma às pessoas, mas dizendo que isto não impede que se dê alguma atenção ao fenómeno, acompanhar e monitorizar um potencial deslizamento futuro. "Nós temos que ver e encaixar esta notícia com alguma naturalidade, fez parte da nossa história geológica, mas não foi só na ilha do Fogo. Temos que encarar isto com alguma serenidade", salientou, prevendo que novo colapso poderá acontecer "num futuro relativamente próximo" numa escala geológica. "É difícil de se dizer assim à partida, mas diria talvez uns 100 a mil anos. É evidente que se deve acompanhar e monitorizar um potencial deslizamento futuro", prosseguiu Bruno Faria, indicando que o colapso no Fogo não é único no arquipélago. O técnico cabo-verdiano cita mais três casos, dois no extremo sudoeste de Santo Antão e um no interior de Santiago, no complexo de Monte Tchota, e que alguns detritos já foram encontrados na ilha do Sal. Bruno Faria concluiu dizendo que são fenómenos que servem para as autoridades cabo-verdianas se manterem alertas e trabalharem setores como o ordenamento do território e a Proteção Civil. A mais recente erupção na ilha do Fogo decorreu entre novembro de 2014 e fevereiro deste ano, tendo desalojado cerca de 1.500 pessoas, e causado prejuízos avaliados em cerca de 45 milhões de euros, segundo estimativas do Governo. Inforpress/Lusa/Fim
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