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Fogo: Projecto para transformar capela de N.S. do Socorro num santuário deve ser submetido em breve à aprovação

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Actualizado a 26/02/2015, 11:59 *** Jaime Rodrigues, Inforpress***São Filipe, 26 Fev (Inforpress) – O projecto para a transformação da capela de Nossa Senhora do Socorro (NSS) e sua elevação à categoria de santuário, reconhecida pela Santa Sé, está concluído e deve ser submetido à aprovação das autoridades municipais nos próximos dias. A informação foi avançada à Inforpress pelo Frei Samuel Lima Gomes, indicando que o projecto é grande e contempla três vertentes distintas, sendo uma que prevê a construção de um pequeno convento para os frades e espaço para acolhimento de peregrinos e grupos organizados com capacidade para 35 a 40 quartos, a construção de uma estrada de acesso a partir do aeródromo de São Filipe e arborização da área do santuário, criando um espaço verde. Este disse ainda que o projecto já foi elaborado e que falta a sua aprovação pela edilidade de São Filipe, já que se trata de um património histórico do município e da ilha do Fogo, tendo os responsáveis pela gestão do santuário informado às autoridades municipais do projecto e da sua aprovação para, na fase seguinte, iniciar a mobilização de recursos junto dos parceiros e das comunidades emigradas para a sua concretização. Com relação à estrada, trata-se da reabertura do caminho utilizado anualmente por muitos peregrinos que fazem o trajecto de cerca de sete quilómetros entre São Filipe ao santuário, a pé, o que vai facilitar o acesso a NSS, sobretudo no transporte de materiais para a execução do projecto. Segundo Frei Samuel, a construção do convento para os frades é “a grande prioridade” do projecto que será executado de forma faseada, permitindo a permanência diária dos frades no Santuário dando maior dinâmica ao seu funcionamento, além de servir para retiro e encontro dos padres. Quanto à residência habitacional, Frei Samuel explicou que se destina a receber peregrinos e grupos de pessoas que pretendem passar alguns dias no santuário. Relativamente à componente de arborização e criação de espaço verde, este responsável do santuário disse que pretende negociar com o Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR) o fornecimento de água do “furo de Capela” situado a menos de 50 metros do santuário para este fim, estando previsto para Março o reinício do processo de arborização. Segundo o mesmo, o Frei Admário João Delgado tinha iniciado este processo com fixação de vinhas mas a ideia é retomar com fixação de algumas fruteiras, sobretudo de espécies mais adaptáveis ao clima agreste, criando assim um espaço verde envolvente ao santuário. Além destas três vertentes, prevê-se introdução de pequenas intervenções na própria capela, nomeadamente na melhoria do soalho e das portas para garantir maior segurança. Para este responsável, a execução do projecto implica “grandes investimentos”, anotando que neste momento não se dispõe de recursos disponível e que após a aprovação vai-se proceder ao lançamento de uma campanha para mobilizar os recursos para este fim tendo em conta que Nossa Senhora do Socorro é um santuário que está no coração das pessoas do Fogo e da comunidade emigrada e acredita que será possível materializar o sonho. A capela, hoje santuário, foi construída pelo Padre Amaro Monteiro Pereira Rebelo nos meados do século XVIII e sempre foi uma capela particular à semelhança de outras que existem em várias localidades da ilha, passando a ser propriedade do sobrinho mais velho do padre, depois da morte deste, à sua irmã, Maria Fidalga Monteiro Pereira de Rebelo. Em 1999, com a morte da última proprietária, Ana Gisela, o seu filho residente nos Estados Unidos da América vendeu o santuário aos amigos da família, os Capuchinhos. Dados históricos apontam pela ocorrência de vários incêndios na capela devido a velas deixadas acesas, tendo o último incêndio ocorrido no tempo de José Joaquim Barbosa Vicente, nos finais de 1800, e veio a ser restaurada no princípio de 1900. A construção da capela de Nossa Senhora do Socorro envolve algumas lendas e, por exemplo, conta-se que um pastor teria encontrado a estatueta da santa numa escavação da rocha de António de Pina, perto do local onde foi erguida a capela, e a teria levado para a então vila de São Filipe (actual cidade). O pároco teria colocado a estatueta no altar mas, no dia seguinte, quando o pastor foi à igreja encontrou a estatueta atrás da porta, tendo-a colocado de novo no altar. Três dias depois a imagem da Santa voltou ao local inicial e, conforme a lenda, a santa teria conversado com o pastor. Na data da construção da capela, reza a história, que não havia material de construção civil (madeira) na ilha, mas foram encontradas, numa pequena praia, próxima do local onde se veio a erguer a capela, pranchas de madeiras que foram usadas na sua construção, facto que as pessoas consideraram na altura um milagre da Nossa Senhora do Socorro. Para algumas pessoas, a madeira provinha de um barco que teria naufragado nas proximidades e a estatueta deveria pertencer a um dos passageiros, já que a Nossa Senhora é padroeira dos viajantes e náufragos. Até hoje permanece a superstição de que se algum membro da família quisesse construir uma casa perto da capela acabaria por morrer antes da sua conclusão, e por coincidência ou não, um elemento da família que quis construir uma casa nas proximidades da capela para criar melhores comodidades àqueles que preparavam o banquete para o dia 05 de Agosto, morreu antes da sua conclusão. JRInforpress/Fim
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